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UNIÃO

Casamentos na Bahia caem pelo quinto ano seguido e atingem menor número desde a pandemia

Dados da Arpen mostram mudança de comportamento nas relações baianas

Por Maria Raquel Brito

Publicado em 03 jun 2026 às 05:03

Casamento
Casamento Crédito: Shutterstock
A psicóloga Jaqueline Mota, de 30 anos, sempre teve vontade de construir uma família. Para ela, casar significa ter uma pessoa para os altos e baixos da vida. Esse desejo tomou forma em dezembro do ano passado, quando se uniu oficialmente ao amado, Manoel.
“O casamento foi importante para lembrar de que não estamos sós e que teríamos sempre um ao outro, firmar o nosso amor. O que hoje em dia passa despercebido por milhares de pessoas”, diz.
Jaqueline e Manoel são um dos 51.086 casais que oficializaram suas uniões em 2025 na Bahia. O número já foi maior: os registros de casamento vêm caindo há cinco anos no estado e tiveram em 2025 o menor número desde 2020, de acordo com os Cartórios de Registro Civil, com dados da Associação dos Registradores Civis das Pessoas Naturais do Estado da Bahia (Arpen/BA). Naquele ano, em plena pandemia, foram registrados 47.160 casamentos.
Em 2021, houve um salto para 59.248, mas os registros só caíram desde então. Foram 58.376 casamentos em 2022, 55.005 em 2023 e 53.036 em 2024, até chegar nos índices mais baixos no ano passado. Entre janeiro e maio deste ano, foram registrados nos cartórios baianos 17.503 casamentos.
Segundo a advogada Larissa Muhana, especialista em Direito da Família, os motivos para esse recuo são diversos. Um dos principais é uma mudança cultural.
“A sociedade tem exigido menos a formalidade do casamento para os casais, especialmente para as mulheres. As pessoas, os jovens, têm entendido que os efeitos da união estável são idênticos aos do casamento, então efetivamente o casamento se torna uma mera formalidade. E os custos da cerimônia, ainda que de pequeno porte, podem sair muito caros. Isso também pode ser um fator”, afirma.
A união estável mencionada pela advogada consiste em uma relação conhecida socialmente, contínua e duradoura, com intenção de constituir uma família. Nessa forma de relacionamento, o estado civil não é alterado. A principal diferença em relação ao casamento está na formalidade. Enquanto o casamento exige uma solenidade – no cartório ou em espaço religioso, por exemplo – a união estável não depende disso.
“Acaba que a união estável muitas vezes não é nem programada, o casal vai vivendo com ânimos de constituir família, morando junto, tendo filho, o tempo vai passando e essa situação se consolida sem que tenha necessariamente uma formalidade desejada por eles. Eles simplesmente vão vivendo a vida e o direito reconhece isso como união estável”, diz Muhana.
A advogada Fernanda Andrade, de 36 anos, e o marido Matheus também estão entre os casais que juntaram as escovas de dentes oficialmente em 2025. Para ela, a formalização da relação foi importante tanto pelo motivo religioso como para compartilhar com amigos e família a celebração do amor dos dois.
“Acho que celebrar o casamento é sobre reafirmar o amor e multiplicar essa felicidade no nosso entorno. Além disso, havia uma preocupação nossa sob o aspecto jurídico. Apesar da união estável ser equiparada ao casamento, ainda existem situações jurídicas nas quais a definição do estado civil como casada e casado dá mais segurança, inclusive quanto ao regime de bens”, diz. Para ela e o marido, a segurança da alteração do estado civil e proteção do regime de bens é algo significativo.
A afirmação de Fernanda se deve à vantagem da oficialização que o casamento traz. Em caso de disputa por herança, por exemplo, é mais fácil provar que a relação existiu. “Quando não há contrato ou escritura formalizando a união estável, podem surgir discussões sobre a data de início da relação, divisão de bens e até direitos sucessórios. Por isso, a formalização por escritura pública é sempre recomendável”, explica a advogada especialista em Direito de Família Verena Hora.

Divórcios também estão em queda

Além dos casamentos, o número de divórcios também está em queda na Bahia desde 2021, segundo dados do Colégio Notarial do Brasil – Seção Bahia (CNB/BA). E, assim como as uniões, as separações atingiram no ano passado o nível mais baixo em cinco anos: foram 2.734 registros, quase 10% a menos que 2024 (3.037) e 25% a menos que 2021 (3.646).
Para quem está pensando em pedir o divórcio, a advogada Verena Hora deixa uma dica: buscar informação jurídica antes de tomar qualquer medida precipitada.
“É importante reunir documentos, compreender a situação patrimonial do casal e avaliar questões envolvendo filhos, guarda, convivência e alimentos. Sempre que possível, o diálogo e a solução consensual devem ser priorizados, pois costumam reduzir desgastes emocionais, além dos custos e duração do processo. Um divórcio bem conduzido juridicamente protege não apenas o patrimônio das partes, mas também o bem-estar dos filhos e a estabilidade das relações familiares já pensando no futuro.”

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