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CHAPADA DIAMANTINA

Paraíso das aves na Bahia começa a sentir efeitos do aquecimento global

Pesquisa na Chapada Diamantina revela impacto direto da temperatura sobre espécies raras,  que podem perder até 94% de áreas adequadas até 2070

Por Mariana Rios

Publicado em 25 mai 2026 às 10:30

Um novo estudo científico colocou a Chapada Diamantina no centro das discussões sobre mudanças climáticas e preservação ambiental no Brasil. Pesquisadores brasileiros descobriram que a diversidade de aves diminui à medida que a altitude aumenta na região — e que a temperatura é o principal fator por trás desse fenômeno.
A pesquisa, publicada na revista científica Biodiversity and Conservation, analisou mais de 170 espécies de aves em diferentes áreas da Chapada, entre 400 e 1.300 metros de altitude, em municípios como Lençóis, Mucugê, Andaraí e Palmeiras. Os cientistas identificaram que regiões mais baixas e quentes concentram maior riqueza de espécies, enquanto áreas mais altas apresentam redução significativa da diversidade.
A pesquisa foi conduzida pelos cientistas Maisa Teixeira Alves, Sidnei Sampaio dos Santos, Thiago Nascimento Zanetti, Marcel Silva Lemos, Helder Farias Pereira de Araujo e Henrique Batalha-Filho, ligados principalmente à Universidade Federal da Bahia (Ufba) e a instituições de pesquisa parceiras - Universidade Estadual de Santa Cruz, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, além do projeto de pesquisa PELD-DIAM e da Associação de Condutores de Visitantes do Vale do Capão (ACV-VC).
Entre as espécies destacadas pelos pesquisadores estão aves endêmicas e raras da Chapada Diamantina, como o beija-flor-gravatinha, conhecido cientificamente como Augastes lumachella, a maria-preta-do-grantsau, Formicivora grantsaui, e o tapaculo-da-chapada-diamantina, Scytalopus diamantinensis.
Segundo os pesquisadores, a Chapada Diamantina funciona como um refúgio climático para espécies sensíveis às alterações ambientais. O alerta é que o avanço do aquecimento global pode empurrar essas aves para áreas cada vez mais altas — onde o espaço disponível é limitado. O estudo cita projeções indicando que algumas espécies típicas das montanhas do leste brasileiro podem perder até 94% de suas áreas adequadas até 2070.
O estudo mostrou que as áreas mais baixas da Chapada Diamantina, onde as temperaturas são mais altas e há mais vegetação, concentram uma quantidade maior de espécies de aves. Já nas regiões mais elevadas — como áreas de campos rupestres e topo de serra — o número de espécies diminui.
Na prática, os pesquisadores descobriram que a Chapada tem mais aves nas áreas de menor altitude. À medida que a subida da serra aumenta e a temperatura cai, a diversidade de espécies diminui.
Além da importância ecológica, a pesquisa reforça o peso da Chapada para o turismo e para a identidade ambiental da Bahia. A presença de aves raras transforma a região em um dos principais destinos de observação de pássaros do país, atraindo pesquisadores e visitantes do Brasil e do exterior. Os autores defendem que os dados sirvam de base para políticas de conservação e monitoramento ambiental diante das mudanças climáticas.
Os pesquisadores alertam que o aquecimento global pode empurrar aves raras da Chapada para áreas cada vez mais altas e frias. O problema é que, no topo das serras, o espaço é limitado. Com menos habitat disponível, essas espécies podem perder áreas de alimentação e reprodução, aumentando o risco de desaparecimento.
Em outras palavras: com o aumento da temperatura, aves típicas da Chapada podem ficar sem lugar para viver. Espécies que hoje habitam regiões frias da serra terão cada vez menos espaço adequado para sobreviver.

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