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ECONOMIA

Estatais federais registram déficit de R$ 5,9 bilhões no primeiro quadrimestre, pior resultado em 24 anos

Correios lideram a lista de empresas sob pressão e governo prepara planos de reestruturação

Por Maiara Baloni

Publicado em 02 jun 2026 às 16:32

Estatal de serviços postais lidera a lista de empresas sob pressão fiscal e terá que aplicar plano de reestruturação para conter perdas financeiras.
Estatal de serviços postais lidera a lista de empresas sob pressão fiscal e terá que aplicar plano de reestruturação para conter perdas financeiras. Crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
As empresas estatais federais fecharam os primeiros quatro meses de 2026 com um déficit primário de R$ 5,93 bilhões, segundo o balanço mais recente divulgado pelo Banco Central. O resultado representa o pior desempenho para o primeiro quadrimestre desde 2002, quando a série histórica do indicador foi criada.
A velocidade do saldo negativo chama a atenção porque, em apenas quatro meses, o valor superou o prejuízo de R$ 5,1 bilhões registrado ao longo de todos os 12 meses do ano passado.
O indicador de resultado primário mede se o faturamento próprio dessas companhias foi suficiente para cobrir os custos do dia a dia e os investimentos programados, deixando de fora o pagamento de juros.
Na prática, os dados mostram que o conjunto de empresas controladas pela União gastou mais do que arrecadou no período, passando a depender de recursos extras do Orçamento federal para fechar as contas.

Mudança na gestão e alta nos custos operacionais

A trajetória atual reverte o cenário dos anos anteriores, quando o setor de estatais federais registrava superávits sucessivos, como o saldo positivo de R$ 2,5 bilhões em 2021 e de R$ 4,8 bilhões em 2022. Naquele período, a gestão das empresas priorizava o corte de despesas de custeio e a redução de novos investimentos públicos.
O governo federal argumenta que o avanço atual nos gastos decorre da retomada de investimentos em infraestrutura e de repasses vinculados ao Novo PAC, focado em obras de transportes, energia e saneamento, além de despesas iniciais para reestruturar os serviços dessas estatais. Segundo a equipe econômica, os gastos funcionam como um aporte para gerar retornos no futuro.

O mapa do déficit no setor federal

Os relatórios oficiais apontam que o desequilíbrio nas contas está concentrado em poucas empresas, com destaque para os Correios. A estatal de serviços postais enfrenta dificuldades logísticas e comerciais, sendo apontada pelo governo como o principal foco de atenção fiscal.
Ao lado dos Correios, a Empresa Gerencial de Projetos Navais (Emgepron) impacta o índice geral devido ao volume de recursos direcionados à construção de embarcações para a Marinha. Na área de energia, a Eletronuclear aparece nos relatórios em razão dos custos de operação de Angra 1 e das necessidades de financiamento para as obras de Angra 3.
O acompanhamento de riscos fiscais da União inclui ainda a Casa da Moeda e Companhias Docas regionais, como as da Bahia, do Rio de Janeiro e do Pará, que enfrentam oscilações na demanda de mercado e custos operacionais elevados.

Mudança nas regras da meta e planos de reestruturação

Para tentar conter o déficit, o Ministério do Planejamento e Orçamento informou que cada estatal em crise terá que aplicar um plano de reestruturação. Nos Correios, o pacote inclui planos de demissão voluntária, renegociação de contratos de assistência à saúde, venda de prédios públicos sem uso e reajustes nas tarifas de envios. O Tesouro Nacional monitora a situação e avalia conceder empréstimos, mas reforça que o socorro com dinheiro direto dos impostos só ocorrerá se outras alternativas falharem.
A meta oficial aceita para o setor em 2026 prevê um déficit de até R$ 6,752 bilhões. Isso foi possível porque o governo alterou a forma de contabilizar as perdas, excluindo do cálculo cerca de R$ 10 bilhões em despesas de investimento e reestruturação. O plano de médio prazo enviado ao Congresso indica que a previsão oficial projeta um déficit de R$ 7,5 bilhões para 2027. O governo projeta reduzir o rombo para R$ 6,1 bilhões em 2028 e R$ 5 bilhões em 2029, quando os planos de corte de custos começarem a surtir efeito nas operações.

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